”Enquanto eu puxava o edredom para que pudesse cobrir seus pés, observava seus olhos pensativos que pareciam se perguntar que diabos ela fazia deitada em minha cama. Meus olhos só sabiam observar suas curvas e como ela ficava bonita com minha camisa xadrez e rabo de cavalo; ela diz que se sente mais feminina com roupa masculina e eu afirmo que ela fica bonita de qualquer jeito, principalmente ao acordar, quando ela abre um olho pra ver se estou acordado e se espreguiça de sorriso aberto: momentos que são só meus e eu não abro mão.
Ela grita, diz que baguncei suas roupas e sua vida, pergunta onde está seu vestido rendado e onde estava sua cabeça ao ficar comigo. Eu tento falar mais alto mas ela começa a chorar, eu a seguro em meus braços e ela me pede desculpas por ser tão complicada, e lá estou dançando conforme sua dança, refém de seus olhos de criança. Depois de tantas discussões lá estamos novamente, na cama, ela deitada em meu peito sempre olhando para o teto por vergonha ou costume, me contando todas as coisas que ela não costuma a contar a ninguém, fazendo planos malucos e desenhando uma vida impossível; mas não há nada melhor que saber que faço parte de seus sonhos. Ah, se ela soubesse que ela É meu sonho…
Quando acorda, ela me liga desesperada com o pesadelo que teve. Sei que é desculpa, no fim das contas ela deve pensar em mim ao acordar e ao dormir também, já que me liga todas as noites me mandando dormir por que acordo cedo. Ela cuida de mim mais que dela mesma, e ela é tão frágil… Ela gosta de coisas estranhas, tem uma outra visão de mundo, mas eu não me importo. Gosto de suas feições, de quando franze o cenho quando a irrito ou levanta a sobrancelha quando está com ciúmes. E se ela diz que não, eu insisto, se ela diz “desisto”, eu corro atrás, se o dia, o mês ou a hora não ajudam, eu dou um jeito.” -Por I. Duarte
“If happy ever after did exist, I would still be holding you like this and all those fairy tales are full of shit. One more fucking love song I’ll be sick… I don’t expect you to care.”
- Maroon 5
SISOS, RASGOS E RECORDAÇÕES Na boa, estou cansado de quebrar a cara, de me derrubarem, estou cansado de me rasgar em sonetos. Essa parte de levantar e continuar eu sei muito bem e faço com maestria, mas estou exausto. Me afeta o jeito como tenho deixado as coisas passarem só para não brigar, o tempo passa e as coisas esfriam. Esses dias eu fui ao dentista porque estava com uma dor incômoda nos últimos dentes. Ele disse que eu tinha que fazer a extração dos sisos porque não havia espaço para eles na minha arcada, eles estavam nascendo e empurrando todos os outros. A extração foi feita e fiquei com uma dor maior do que o incômodo inicial. Três dias depois o alivio chegou e o que restou foram os pontos e vinte e oito dentes. As pessoas são como os dentes e algumas são como o sisos, por mais que sejam seus, as vezes não cabem na sua vida e temos que extrair. No inicio ate dói a falta deles, mas depois a gente se acostuma e consegue perceber que fica bem melhor assim. Mas como eu ia dizendo: - Eu to cansado, cansado de recolar meus pedaços e seguir remendado. Estou exausto. Joguei fora tudo aquilo que era meu, mas machucava e não tinha um espaço. Dos vinte oito que sobraram cuidarei da melhor forma que eu puder, farei limpezas, clareamentos e os deixarei com suas raízes bem fortes, firmes aqui. Estou cansado! Dos rasgos ficam os remendos e os dentes que me cabem. Confesso que guardei os sisos de recordação, afinal um dia eles fizeram parte de mim. Não estou mais cansado, descansei e aprendi.
OBRAS-PRIMAS, LIBERDADE E VALORES.
Sempre fiquei imaginando tudo aquilo que fica gravado pela eternidade por meio de traços e pinceladas, emoldurados e presos na parede. Guardados a sete chaves ou expostos em museus e galerias. Valores bilionários, uma historia, um sentimento, um silêncio. Solitários e frios, presos a um destino, obras-primas cumprindo pena máxima. Aposto que cada gota de tinta que escorria eram lágrimas que formavam aquele quadro impecável, ele já sábia o seu fim. As luzes se apagam e se finda o dia de exposição e o que resta é uma noite gelada, são culpadas por serem perfeitas, ficam presas em suas tumbas, especialmente esquecidas e as mais solitárias, a espera que alguém que possa pagar o seu preço impagável. O dia vai amanhecer e tudo vai se repetir. Dane-se, somos como quadros, somos todos especiais, - sendo uma forma ‘especial’ de dizer que ninguém é – ficamos expostos em uma moldura de ouro que demonstra o valor inestimável que temos, somos frios e perfeitos, mas o que todas as obras-primas esperam é que um dia estejam libertas desta sorte, que alguém possa pagar o preço incalculável. Ninguém virá, somos perfeitos demais, frios demais, expostos demais e estamos presos. De que vale uma obra-prima solitária? De que vale perfeição se ninguém pode tocar? Que não esperemos um comprador, que saiamos da moldura e sejamos de fato, obras-primas.
- Por Ego inquietus
DESENCONTROS, REENCONTROS E PARADOXOS
Adeus. Estou me despedindo de tudo que aconteceu, de você. Não superestime minhas atitudes e nem subestime o que somos. Foi tudo tão rápido e essa aceleração fez com que a gente se perdesse. Todo mundo - ou quase todos – esperam encontrar alguém e a gente encontrou, mas de alguma forma nos deixamos escapar. Terá sido a coisa certa no momento errado? O céu está caindo e eu consigo andar sobre os raios, consigo segurar a chuva de uma forma que eu nunca consegui contigo. Me pergunto se é da mesma forma pra você – eu nunca vou saber – . Se eu pudesse te ver essa noite, se eu pudesse te falar. No chão, o céu, e eu piso sobre o sol que começa a nascer. Eu tenho vivido na escuridão, mas a ausência de luz é uma parte necessária e eu sei que nunca estou sozinho. Percorri um longo caminho pra compartilhar essa vista gloriosa, uma longa distância pra pertencer a esse lugar. No horizonte eu consigo ver um outro céu brilhante, mas o sol continua a nascer sobre os meus pés. Prepare-se, nossa historia é muito complicada, começamos pelo fim e agora um novo começo se inicia, juntos ou não, mas se inicia. Oi, Prazer, sou Egos.
- Por Ego inquietus
FLERTE, SORRISOS E ORDENS
Abra os olhos , eu não vou me mostrar tão interessado porque você pode se assustar. Diga exatamente o que você está pensando, esses olhares levianos e o jeito que você arruma o cabelo me fazem te corresponder com um sorriso. Deixe escapar um sorriso, pois o meu sorriso sacana já escapou faz tempo. Finja que não quer nada, isso vai me deixar louco. Me passe seu telefone e não me atenda no primeiro toque, dessa forma ficarei achando que você não está interessada, ficarei preocupado e tentarei ligar novamente. Aceite meu convite pra sair, vou ficar pensando em diversas formas em tornar nossa saída interessante. Me perdoe, eu vou mentir pra você só para parecer um cara mais interessante. Fale, eu vou gostar de ouvir sua voz, mas em algum momento o assunto vai acabar. Silencie e dê um sorriso, vou te beijar. No dia seguinte não espere uma ligação, tenho que manter minha pseudo autoconfiança. Relaxe, eu vou te procurar durante a semana. Se liga, garota.. isso é uma guerra e no final vamos nos perguntar se tudo isso é real. Abaixe as armas, e eu não vou ligar se a gente não dormir nada essa noite. É só um jogo, apenas um jogo. Ah, e o melhor conselho… Mantenha-se forte e não siga ordens.
- Por Ego inquietus
COLDPLAY, MAU-HUMOR MATINAL, ESCOLHAS.
E sol nasce mais uma vez… Não tem ninguém do outro lado da cama e a preguiça impede qualquer tentativa de me levantar, os detalhes do quarto, antes nunca percebidos, são notados. A luz ainda incomoda os olhos e eles ficam meio fechados. De repente surge um esforço sobrenatural e levanto. De pé, sozinho em casa vou até a cozinha de cueca box e cabelo despenteado, procuro algo que possa comer, nada me agrada pois acordo com humor do cão. Me arrasto até o sofá, contabilizo quantos dias faltam para as férias acabarem, pego o celular e cato algumas mensagens, fico rindo das bobeiras enviadas e das babaquices recebidas, Coldplay inicia um show particular, mas quando chega naquela parte: “All the madness that occurs ,all the highs, all the lows. As the room a-spinning goes. We’ll run riot.” Acho que eu nunca tive o controle, mas somos tão jovens. Pra que controle? O show particular continua e Chris insiste em mandar indiretas,” But if you never try you’ll never know just what you’re worth.” Tentar? Como se fosse fácil, mas é sexta-feira e eu vou sair com meus amigos, conversar com a Heineken, falar sobre garotas e mostrar que eu sei ser um completo idiota fingindo que a esqueci. Vou sair com uma menina qualquer (meu falso moralismo me impede de falar pegar). Essa garota qualquer vai se perder no meio da multidão e eu vou mostrar que a outra não passa pela minha cabeça nem por um minuto. A noite vai se encerrar e eu vou amanhecer mais uma vez com a cama vazia e o mau-humor que me é pertinente. Mas “eu quero estar amanhã ao seu lado quando você acordar. Eu quero estar amanhã sossegado e continuar a te amar.” Por um momento eu desejei isso (a gente deseja cada besteira), mas o mundo é feito de escolhas e eu escolhi estar bem. Eu e você juntos nunca estaremos sossegados, então eu sigo na minha pseudo-imaturidade a procura de uma verdadeira felicidade e amanhã não vou amanhecer sozinho porque a felicidade está batendo na porta. Bom dia.
- Por Ego inquietus
Essa noite eu me encontrei comigo, foi como se eu estivesse olhando para um espelho. Pude ver os pedaços trincados e a quantidade de remendos que mantinham aquele espelho pronto para o reflexo. Eu me vi no espelho, sem o espelho. Essa noite os meus eu’s vieram me fazer uma visita, trouxeram um pedaço do passado, os resquicios do presente e a loucura do futuro, trouxeram meus fantasmas. Me deram a chance de ser o senhor do tempo, de escolher, de mudar meu passado. Pude ver que o meu mundo estava em minhas mãos, pude ver que em cada linha das minhas digitais a minha história estava escrita. Eu vi que do lado das digitais tem um espaço em branco. Meus eu’s me confundiram e trouxeram a nostalgia de um passado, a loucura de um presente e a inquietação do futuro. Eles me mostraram que não tenho o direito de mudar o passado. Meus eu’s alinharam a minha vida ao espelho trincado. Eu vi as minhas escolhas e eu vi que havia uma chance de mudar. Meu eu passado?.. Ah meu eu passado. Vi nele uma bagunça e uma sujeira exatamente de quem ele é. Eu me confundi com tantos eu’s falando ao mesmo tempo, em uma sinfonia complexa de conselhos que ecoavam enquanto me via no meio daquela rachadura. Eu não me refletia, não havia sombra, era apenas eu. Os fantasmas do passado amargo nao me assombram mais e aos poucos a complexidade do presente foi se desenrolando, se desfazendo. Eu escolhi mudar o meu futuro começando pelo meu eu presente. Olhei nos olhos do meu eu futuro e vi que nada estava escrito e que um olhar indecifravel me instigava. Perturbado, perguntei “- Que tipo de cara eu sou e quem é você?” Ele me olhou e com uma voz calma falou: “- Estou nas suas mãos”. Vi meus eu’s se dissipando na minha frente e fiquei alinhado a um espelho que me refletia, ainda trincado, mas eu nao era o mesmo. Pude ver que atrás das trincas existe um eu que depende de mim. Eu mesmo.
- Por Ego Inquietus
Esse texto é uma reunião de coisas e idéias que eu guardo desde os meus 14 anos e penso em dizer ‘pro‘ mundo. Sempre foi claro pra mim que a escola não era o meu lugar, nunca me encaixei nas ‘regras de sobrevivência escolar’ e sempre foi muito claro ‘pra’ mim o que eu queria fazer com o meu futuro. Desde que entrei na faculdade tudo mudou, encontrei exatamente o lugar onde eu pude expor minhas idéias. É um ambiente que não exige a aceitação, as pessoas são o que são, no geral com o objetivo de se formar e ser alguém na vida. O que eu vejo na maioria dos meus amigos, são caras e meninas de dezoito, dezenove anos com um potencial enorme, mas totalmente desperdiçado em bebida, futilidade e putaria. A babaquice desse desvio de potencial é que faz com que deixemos o mundo na merda. É verdade, o mundo está uma merda e isso não é só culpa de uma política corrupta, é culpa nossa e dessa sociedade alienada da qual fazemos parte. É curioso o fato de dizermos que o mundo não tem mais jeito, entretanto o que eu vejo é o comodismo e a falta de consciência de que o mundo está em nossas mãos. Escuta o que eu te digo, você é capaz de mudar o mundo. Então não hesite, crie, mude e aja. Seria muito otimismo da nossa parte acreditar que o mundo vai acabar em 2012, esse talvez tenha sido o maior erro maia ou quem sabe o maior acerto, talvez o fim do mundo não seja num grande ‘BOOM’ talvez o que eles estivessem querendo dizer há um caralho de tempos atrás é que nós estamos destruindo o planeta, a natureza e as pessoas e isso tudo por causa de um ego exagerado e um egoísmo desenfreado. Talvez estejamos ganhando a oportunidade de mudarmos o mundo. O que eu vejo é uma sociedade totalmente corrompida e sem perspectiva de futuro, uma sociedade onde um ‘bom dia’ é luxo de uma educação. Então, você que está lendo esse texto creia no que eu te falo, você pode mudar o mundo e apesar da quantidade de filhos da puta que existem aqui eu ainda acredito que é possível. Não vamos deixar que nossas atitudes sejam rarefeitas, vamos intervir diretamente. E se pudéssemos mudar o mundo? E se eu te dissesse que podemos?.. Fazer um texto revoltadinho, cheio de palavrão é fácil, escrever que amo meu planeta no caderno, compartilhar uma injustiça social no facebook ou reclamar do governo não passa de uma atitude hipócrita e cômoda. Levante a bunda da cadeira e aja, porque eu e você somos responsáveis por esse mundo. Vamos mudar?
- Por Ego Inquietus (Baseado em vídeos de Gustavo Horn)
É como se eu nunca fizesse parte, mas de alguma forma e com alguma força eu pudesse me encaixar. É como se eu fosse o teste, o rascunho, o piloto. É como se eu fosse um esboço. De alguma forma as coisas mudaram e aquela força que me encaixava sumiu. O erro desse quebra-cabeça foi meu, eu cresci e hoje não consigo me encaixar, as peças, mais do que nunca, não se encontram. Talvez eu tenha vindo de uma outra caixa ou de um outro jogo. Eu nunca fui muito bom de quebra-cabeça, sempre sobrava uma peça ou faltava outra. Eu sempre fui muito bom em quebrar a cabeça, dos outros e a minha cara. Ta aí, sempre fui bom em resta um, ganhava de todos os adversários, eu mesmo. Estou cansado de jogar esta merda, pode ser ‘resta 2’? Posso aprender a brincar de quebra-cabeça? Eu não sei. Preciso confessar uma coisa, sou desonesto. Eu sempre roubei no jogo da vida e é por isso que eu ficava milionário no final, agora a vida tem pego de volta todo aquele dinheiro que eu roubei. Sempre escondi as cartas de uno na manga, no bolso e onde mais desse. Sempre fiz isso. Sempre tive minhas maneiras de conquistar meus objetivos, com um sorriso e uma cara-de-pau que me é pertinente. Sempre consegui esconder muito bem todos os meus sentimentos, assim como eu fazia com o dinheiro e as cartas de uno. Ou pelo menos era o que eu achava. Agora que o jogo acabou e que eu levantei o que fica são as cartas que eu esqueci. E logo hoje que eu precisava gritar UNO eu não tenho nenhuma carta escondida na manga, mas eu vou dar um jeito porque quem nasce pro jogo não ‘resta um’ jamais. Afinal, talvez seja ela a peça que faltava. Xeque-Mate.
- Por Ego Inquietus