Lábios fartos, pele morena, baixa estatura, sorriso bonito, gosto doce e peitos grandes. A combinação perfeita para me tirar do sério. Ela é gentil, bonita e me quebra com aquele olhar de pseudo-ingenuidade.
Eu tenho o estranho hábito de me apegar no papo dela, no sorriso, no cheiro e no fato dela ser gostosa. Implicamos mutuamente e a rotina da mesmice e das indiretas torna a nossa situação cômica e incerta. Eu abraço e digo que não me importo, ela me aperta, sorri e diz ‘você é muito chato, garoto’. Eu me preocupo com ela e cuido, mas com a distância que me permita a fuga caso algo dê errado. Ela é sagaz, joga dardos certeiros e não quer se envolver com medo de se machucar novamente.
Ela reclama quando não respondo as mensagens e diz que sente saudade, eu sorrio dando uma desculpa qualquer só para não afirmar que me envolver pode ser perigoso demais. Ela me sonda para saber se eu vou sair no final de semana e eu encarno o melhor detetive da Scotland Yard a fim de descobrir quais foram as ações dela na sexta anterior.
Eu poderia convidá-la para dar uma volta, mas correríamos o risco de nos perder. Em devaneios da madrugada penso que possa ser ela a garota certa pra mim, mas tudo isso pode não passar de uma resenha qualquer de um filme de comédia romântica mal escrito ou talvez eu esteja mesmo me apaixonando pelos seus olhos. Não posso. Eu sempre soube que ela era um problema.
Sem desculpas e sem sair pela tangente, ela está na minha mira. Resta saber se vou dar um tiro certeiro e me afundar e afundar o navio dela ou se vai ser tiro na água, mas ela pode ficar comigo pra sempre ou ela pode ficar comigo por enquanto. Vai saber… Vou saber. É como um café gelado na manhã… doce, mas frio.
- Por Ego Inquietus
